terça-feira, 13 de outubro de 2009

Meio Termo

Eu quero a certeza de ser quem sou ao amanhecer. E quando a noite me cobrir com seu véu escuro, eu possa estar sossegada, sem ter de me preocupar em achar as respostas para perguntas irrespondíveis. Eu quero ser como o rio que flui, como a flor de lótus que desabrocha, eu quero ser o beija-flor que suga seu néctar. Quero ser todos em um só.
Neste instante me encontro em cima do muro que divide o mundo. Estou na linha da confusão, dos que não decidiram para que lado irão. Sou diferente de tudo. Não tenho uma classificação. Sou livre de rótulos, e abolida de julgamentos.
Eu sou a inusitada, eliminada da sociedade.
Procuro achar a soma de fatores, que me levem a achar a essência de minha ofuscada alma, desprovida de qualquer esplendor. Minha alma escura e calma, que vaga na penumbra da noite sem rumo, enquanto me perco em meus sonhos. Quero decifrá-la. Quero decifrar-me.
Eu não sou isso nem aquilo. Não estou nem quero ficar.
Eu sou simplesmente um meio termo. Me encontro entre dois extremos. E para onde irei?
A pergunta ecoa no ar. E a resposta?
Eu a espero até hoje, sentada em um velho banco, deixando que o vento leve meus pensamentos. E trazendo cada vez mais incertezas.

7 comentários:

Dimas disse...

*-*
GENIAL!

"...E a resposta?
Eu a espero até hoje, sentada em um velho banco, deixando que o vento leve meus pensamentos. E trazendo cada vez mais incertezas.
"

Continua assim!
Cada vez que eu leio, me surpreendo mais. E eu quero um autógrafo teu.
até a próxima!

Denise Lela disse...

BRILHANTE o seu post!
vc tem uma leitura muito agradável de ler!
vou sempre está acompanhando!
bjuss!

Gutt e Ariane disse...

Prova-se inviável continuar a ser mesma pessoa uma vez que nossas concepções, num simples dormir e acordar no sia seguinte, já mudaram...
Mas seu texto nos propõe uma ótima reflexão...muito bem escrito, parabéns!

Adrielly Soares disse...

Em geral a resposta sempre chega na hora certa. Se não chegou é porque não era a hora.

Rui disse...

realmente, algumas respostas só surgem com o tempo, antes disso é impossível ter resposta.
Todos somos um, como células de um único corpo.
Sei não. Por mais que a gente se sinta diferente, no fundo, somos parecidos.
Talvez o se sentir estranho brota em alguns o sentimento de ser sem pátria, sem lugar. Mas pode ser só uma ilusão.

Que bom que gostou daquela parte, acho que do texto todo é a mais verdadeira.

Pamella disse...

Obsoleto amargo tem um gosto doce quando se sabe degustar!
Você soube descrever isso muito bem.
Parabéns, não sei nem mais o que comentar. Parabéns mesmo. :)

Guilherme Lombardi disse...

muito bom a forma como você escreve, é bem agradavel de ler, continue assim sempre!