domingo, 11 de outubro de 2009

Passado-perfeito

As nossas fotos ainda estão penduradas no painel. As paredes ainda são daquela cor vermelha, que com nossas quatro mãos seguramos o pincel aos risos e a pintamos com todo amor existente, como se fossemos passar a eternidade ali, eu não me importaria, pois eu havia deixado o relógio em algum lugar no qual não era meu pulso.
Você sabia o que eu achava em relação ao tempo, um simples artifício humano – Por que o dia não pode durar duas noites? – E por que ele dura miseras vinte e quatro horas? –algumas se esvaziam em sono, outras em trabalho, viver requer muito tempo. Mas naquele momento o tempo não existia, sua alma que por um instante me refletia. E para minha tristeza o dia amanheceu. O despertador tocou. Você então se arrumou e fechou a porta, para nunca mais voltar.
Agora me desmancho em lágrimas, como se essa simples água salgada das vertentes de meus olhos, pudessem amenizar as cicatrizes do meu coração, enquanto relembro cada momento do nosso pequenino “para sempre”, que em frações de segundo se quebrou. Como um vidro que cai ao chão, ele esta em cacos, que fazem a dor latejar cada vez que tento esquece-la Estes cacos me fazem sangrar a todo instante, e ter plena certeza de meu passado-perfeito foi o melhor presente que poderia me dar, mas sei que meu futuro vai ser imperfeito sem você para me alegrar.
À noite, em meus sonhos vejo um belo par de asas, que me acolhem, um anjo, no qual os olhos eu pude olhar fixamente e notar que já me vi refletida naquele espelho, pois aquela alma eu já conhecia.

2 comentários:

David Aragon disse...

Nossa, pungente sentimento de saudade, essa pessoa realmente patriu seu coração ao ir embora.

CHINFRAS e TALS

KGeo disse...

e alguns dizem que o dia está durando 18 horas