terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Verdades Ácidas


Como ele consegue desencadear em mim emoções tão variadas em um curto espaço de tempo? Pela manhã eu estava disposta a odiá-lo por ter me deixado esperando uma hora plantada na frente da padaria em que iríamos tomar café da manhã. Até que desisti de vê-lo e segui furiosa para o trabalho.
                Enquanto caminhava, como se marchasse, com a raiva se espalhando por cada célula do meu corpo, senti o telefone tocar dentro da bolsa. Com certeza ele iria me despejar uma enxurrada de desculpas, mas eu não estava com paciência para ouvir juras e as reafirmações de promessas antigas em que eu já nem acreditava mais. Desliguei o celular, querendo me desligar também.
Sinceramente eu não esperava que ele atravessasse a cidade para ir até o meu trabalho me buscar. Eu queria evitá-lo, pelo menos por uns dias. Juro que eu tinha uma grande vontade de gritar e o acusar na frente de todo mundo pela a sucessão de erros que ele vem cometendo comigo, porém resolvi preservar meu trabalho. Juntei os textos que eu deveria revisar em casa, enquanto ele me esperava impaciente.
Ele disse que a culpa é do despertador. Eu digo que não é só aquele atraso matinal que está nos atrapalhando. Digo que há algo como um muro nos separando, uma parede invisível que não nos permite aproximações. Ele entrega-me um botão de rosa vermelha e eu retribuo o presente com um olhar perdido, perguntando-me se ele achava que aquilo bastava.
Acho que o problema era esse – estávamos levando as coisas na miudeza – desvalorizando os grandes significados. Fui franca, olhei para aquele grande par de olhos que me fitavam amedrontado e cuspi minhas verdades ácidas. Eu precisava saber se aquilo era mesmo o certo, se tínhamos o mesmo esboço de horizonte para traçar.
Quando ele me olhou com determinação, senti que ele realmente me queria por perto. E me vez perceber que os erros eram menores que os acertos. No fundo ele sempre foi doce. Ele me conhecia bem, pelo menos até antes de eu virar essa psicótica cheia de incertezas que joga as dúvidas em seus ombros para lhe fazer sentir culpado, quando na realidade a verdadeira culpada sou eu. Por eu andar descrente demais, desiludida com alguns atos, vou logo querendo esquecer todo o resto.
Ele me puxou para um abraço e me fez recuperar toda a esperança que eu depositava na gente. Quando ele disse que andava confuso, por eu estar estranha, sempre exigindo alguma coisa que eu não deixava clara o que era. Confessei-lhe que eu não queria somente materialidades e clichês, eu necessitava de algo que me abastece de novas crenças. Ele compreendeu-me, beijou-me com ardor, segurou minha mão e caminhamos pela rua habitada somente por nós e o vento gélido de inverno.
Agora estávamos na direção certa: indo para casa, depois de termos nos encontrado. Agora eu acreditava novamente que aquele sentimento poderia ser inexorável. 

3 comentários:

Flávia Corrêa disse...

Suas histórias me prende a atenção, muito boa...bjm

Mony Gabriely disse...

Uau! Que legal. Curti muito seu texto. Adorei seu, e por isso estarei seguindo para ler seus textos. Beijos!

http://percepcaooculta.blogspot.com.br/

Autora da História disse...

Obrigada gurias por visitarem o meu cantinho e lerem com carinho meus escritos. Beijos!